04
Feb
11

A TEMPESTADE

Um vento inclemente bate na janela. O céu azul se torna cinza e logo negro.
Enquanto o tempo muda, a eletricidade que paira no ar se mistura à eletricidade de nossos corpos seminus.
As línguas se procuram e se misturam. Tocamos um ao outro: arrepio, tesão, saudade.
Todos os sons somem. Ouvimos somente a respiração ofegante um do outro.
As roupas somem e surgem ao chão, espalhadas.
Sinto com as mãos o quanto me queres. Molhada.
Ajoelho-me diante de ti. Abro-te. Exploro-te. Tuas coxas nos ombros. Teu sabor nos lábios.
Uma janela se abre. Natureza. Poder. Gotas de chuva nos tocam e nossos sentidos ficam mais apurados.
Corres para fechar a janela com teu corpo nu, sem frio. Fechas a janela. Me aproximo por trás.
A imagem de fora eternizada. O teu corpo nu. Seios, rosto, pelos. Meu corpo atrás, abraçando-te, tocando teus seios, teu sexo. Tu abres teu mundo para mim.
Vira e beija-me. Abre-te mais. Encosto meu corpo ao teu e penetro. Vivo. Duro. Forte.
Tua língua na minha. Um olhar. Sem palavras. É exatamente ali que deveríamos estar.
Coloco teu corpo arqueado para ver a tempestade. Beijo tua fada, tua estrela.
Sei o que queres. E dou-te inteiro. Mãos. Cabelos. Pedidos. Chuva e vento.
No momento derradeiro, entrega-te a mim. Teu néctar. E o meu ao teu se mistura.
Únicos. Eternizados no corpo e na mente.
Cansados. Realizados. Vemos a tempestade que chega enquanto a nossa abranda. Por ora.

 

Mordred

26
Jan
11

O Telefone

Toca o telefone. Atendo. Tua voz do outro lado me diz que estás no lugar errado, que eu estou no lugar errado.

Me descobres nua, mesmo à distância. Eu o adivinho duro, mesmo sem tocá-lo.

E na tua voz excitada, vou caminhando para o nosso prazer. Apalpando-me, como se fossem tuas as mãos. Convidando-o a me descobrir. Enquanto sussurro de mim, eu suspiro a saudade que sinto do toque que já tive.

(e ainda quero)

Suspiro de novo.

Sorriu? Até posso ouví-lo.

Vou guiando teus passos, na minha boca vai crescendo a tua nostalgia, nas minhas falas vais enlouquecendo em demasia, na respiração – em que ofego – percebo que ofegas também.

Até quanta distância crescerá o nosso desejo?
Eu me masturbo arqueada na cama quase em desespero.
E ouço o teu arquejar nas ondas do telefone.

Fala para mim aquelas sensações, fala o que queres de mim quando estivermos juntos, lembra tudo que fizemos, as nossas escapadas. Desde quando cativado pelo meu ombro nu, até o meu sofá na nossa madrugada.

Fala.
E me deixa sentir tua voz, como se fosse a tua boca.
Permita-me desejar-te, quase que como louca.

E junto comigo… se perde de si na minha perdição.

Shakti

10
Jan
11

O Bar (conto 4/4)

 

Acorda.
Deixe-me querido. Não quero mais carinhos, afagos ou o teu telefone. Te escolhi pelo olhar voraz, pelo agora que me satisfaz, mais nada quero de ti. Dê o fora de mim. Se te usei, usando-me junto, tornamo-nos cúmplices do sexo imundo e parceiros de jogos carnais. Foi sexo, foi gozo, teu membro em mim. Oralmente, na vagina, foi tesão o que senti e o orgasmo foi o pecado que cometi.

E foi o fim.

Agora, ouça-me, dê o fora de mim.

Shakti

04
Jan
11

Sentidos

Sua mão

PASSEANDO

No meu corpo

 

Sua boca

DEGUSTANDO

Minha pele

 

Sua língua

SENTINDO

Meu gosto

Seus olhos

me

DEVORANDO

 

Seu [meu] suor

IMPREGNADO

em nós

.

 

 

13
Dec
10

Soneto do calor total

Que seja tórrido enquanto é fogo
Que seja fogo, posto que é chama
Que queime tudo e me chamusque todo
Que chame calor, e me jogue na cama.

Chama o calor, chama o fogo
Chama, bem perto, me chama
Consome o ar, o fogo, que chama, sacana
Chama calor, queima e pingando chama, gozo.

Acendo-te como um bicho, simplesmente
Ardendo, sem querer mais apagar
Aqueço-me com um desejo maciço e permanente.

E de me aquecer tanto assim, saio do ar
Lambo teu corpo como fogo quente
Comendo o que tiver pela frente, sem querer parar.

08
Nov
10

Não foi sonho

Tinha tudo para ser uma daquelas noites loucas e quentes. Daquelas onde não se sabe onde começa um e onde termina o outro. Mas dessa vez foi diferente. As coisas tinham outro tom.
O carinho era intenso e não mais vazio, como antes. O carinho foi sentido na pele e no coração.
Seus olhos já me diziam tudo, mas você fez questão de repetir, eu ouvi calada e de olhos fechados, apenas senti seu calor se aproximando.
Não pegamos fogo, não queimamos, não ardemos, mas nos aquecemos. Nos sentimos apenas um, num simples abraço, que de simples não teve nada.
Foi um abraço longo e demorado, que só terminou na manhã seguinte e que me envolveu completamente.
Não sonhei… Não preciso sonhar quando seus braços me envolvem, quando sua mão alisa meus cabelos, quando sua boca beija minha nuca.
Dormi tranquila, como há muito não dormia, e pelo menos nessa noite, em seus braços, esqueci do mundo lá fora.

“Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu espero conseguir
Aceitar o que passou o que virá
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz

Hoje já sei que sou tudo que preciso ser
Não preciso me desculpar e nem te convencer
O mundo é radical
Não sei onde estou indo
Só sei que não estou perdido
Aprendi a viver um dia de cada vez”

(Só Por Hoje – Legião Urbana)

28
Oct
10

Você tem fome de que?

Quando cheguei em casa você já estava lá, falando ao telefone, provavelmente resolvendo alguma pendência do dia. Te joguei um beijo,  você tirou o telefone do ouvido e me disse: “Que bom que você chegou, estou morrendo de fome.”

Não sabia se sentia alegria ou raiva, alegria por saber que você gosta da minha comida ou raiva por depois de um longo dia, ter que cozinhar.

Mas não pensei em mais nada, larguei a bolsa, lavei as mãos e fui preparar algo para comer. Não contava com a forte pressão da torneira e a água molhou toda minha blusa branca, ótimo, pra fechar o dia com chave de ouro.

Nisso você se aproximou, ficou atrás de mim com os braços envolvendo minha cintura, senti seu hálito quente no meu pescoço e meu corpo reagiu, num instante toda irritação desapareceu. Virei-me para te pedir pra me deixar terminar e você me beijou com tanta vontade que capaz que neste momento eu nem saberia mais meu nome. Pegou-me no colo, me levou até o banheiro e em instantes me despiu, revelando o que minha blusa branca e molhada já denunciava. Tirou sua roupa, ligou o chuveiro, a água morna passeava por minhas curvas junto com suas mãos, a excitação era tão intensa que minha única força era a de te puxar para mim. Nossas línguas se devoravam e meu corpo deslizava contra o seu, corpos quentes, sedentos de prazer. Senti suas mãos fortes me encostarem contra o box e me ofereci para você, salientando toda a curvatura da lombar. Nesse momento, o que exalava era o cheiro do nosso querer, o atrito gostoso de dois corpos ensaboados. O barulho dos pingos de água davam ainda mais ritmo ano nosso ballet completamente sacana.

Suas mãos faziam o trajeto do pecado: seios, barriga, coxas. Tudo dominado pela necessidade de ser sua.

De ballet fomos à ópera e alcançamos o ápice na nona  sinfonia de Bethoven, criando o nosso som, sussurrado, apertado, sentido, gozado.

Depois veio a calmaria, o momento final do espetáculo em que todos se levantam e aplaudem. Uma cena de cinema, sem personagens, sem fala decorada, sem direitos autorais. Tudo no improviso, tudo de verdade. Tudo você e eu.

Entrei debaixo do chuveiro sorrindo satisfeita e me sentindo tola, olhando pro meu corpo todo marcado, usado, entendi que a sua fome, a que disse ter quando cheguei, era essa.

 

“E eu me lembro do seu rosto
Do seu gosto
Dos seus dedos
Que entre os meus
Se confundiam
E pareciam
Ser um do outro
entrou pra sempre
Dentro
Do meu corpo
O seu corpo
Se escrevendo em minha pele
O amor nos perguntou
E nós dois dissemos que sim”

Santa Maria – Nando Reis

 

 




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“Falando absurdos, Virando a noite, Perdendo o senso, Derretendo satélites. Falando tudo, Voando a noite, Ouvindo estrelas…”

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