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Vai!

Vai! Pode ir.

Tentarei esquecer quando eu era o roteiro de suas mãos aflitas em percorrer-me.

De quando sua boca me acariciava, sua língua me domava e seus ouvidos me recebiam. Recebiam as palavras proferidas sem pensar, com excitação tamanha que descia pela sua espinha e te provocava ainda mais.

Vai!

Não precisa me olhar assim. Isso que escorre não são lágrimas… é meu corpo que já transpira de saudade do desejo que provocas nele.

Quererei morrer nas noites que vir na parede, a sombra dos galhos das árvores das ruas, vou lembrar-me dos nossos corpos juntos, suados, penetrados. Calor, suor, fluídos, gemidos, arranhões e sede.

O que você ainda faz aí?

Não vê que meus seios respondem a esses seus olhares?

Não vê que de nada adianta amar o externo se o interno não te seduz mais?

Vai! Vai de uma vez!

Agora me tornei egoísta. Só pensarei no meu prazer. Não quero mais saber de amor, de romance, de telefone tocando no dia seguinte. Não quero mais saber de você.

Não quero mais nada de você.

Aliás, eu quero sim!

Antes de ir, venha aqui, me pegue pela cintura, levante meu vestido sem sutileza e me possua, me consuma. Derrama dentro de mim o teu líquido espesso e quente.

Gemo e sorrio, no auge do meu plano de egoísmo. Afinal, toda essa sua intensidade, todo seu espasmo, todo seu gozo, fui EU quem provocou. Portanto, sou dona.

Deixe-me sorver o que ficou em você, deixe-me abocanhar seu prazer. E me beije. Sinta em mim o seu gosto íntimo.

Vai!

Eu fico aqui, guardei seu gosto e seu cheiro em algum lugar da memória. Pra não morrer de vontade sua.

Pois então vai!
A porta esteve aberta o tempo todo
Sai!
Quem tá lhe segurando?
Você sabe voar

Pois então vai!
A porta na verdade nem existe
Sai!
O que está esperando?
Você sabe voar

(Ana Carolina – Vai)



7 Responses to “Vai!”


  1. 1 Denison Mendes
    July 31, 2010 at 12:11 am

    tu que hipnotizas as falas de meu corpo, tu que represas as águas de meu olhar, tu que traduzes meus vendavais, vem!
    beijo.

  2. July 31, 2010 at 2:18 am

    Nanda, você é divinamente diabólica nas palavras!

    Excelente texto! Parabéns!
    Beijo!

  3. 3 Shi
    August 1, 2010 at 5:27 pm

    O melhor texto é aquele que faz o nosso corpo responder. Suar seria uma resposta.

    Os dois últimos parágrafos me fizeram lembrar cenas da vida real.

    Para de “atentar” as pessoas com essas escritas? rsrs

    Já pedi e vou repetir: escreve um livro pra mim?

    Parabéns escritora!

    Shi

  4. August 1, 2010 at 10:32 pm

    Muito bem escrito,daqueles textos que fazem agente arrepiar-se!bjsss

  5. August 2, 2010 at 12:00 pm

    Nada supera uma fêmea deixando todas as insatisfações vindo a tona!
    Como disse, é uma especialista em causar sensações, Fê!
    Te beijo!

  6. August 3, 2010 at 10:02 pm

    Egoísmo doce! Se toda egocêntrica fosse você que maravilha viver. Gostei das cores, dos tons e da crueldade travestida de não-querer. No final todos gozarame foram felizes. Que o caminho a seguir continue assim, indefinido, mas ladeado por desejos.

    besos,
    @paraquenomes

  7. 7 Ju
    September 19, 2010 at 10:21 pm

    Essa menina me enche de orgulho!! rsrs
    Nanda, escreve mais, vai.. escreve?! =P

    Beijos!


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