01
Sep
10

Um bar, goles e costas arranhadas…

Não era um dia comum. Em dias comuns Cecília não acordava com aquela vontade toda. Aquele desejo todo.

Olhou no caderninho que mantinha na bolsa e mentalmente buscou momentos que tinha passado com cada um daqueles nomes que saltava de uma tinta de caneta azul. Não queria mais reviver nenhum daqueles momentos. Cheiros conhecidos, toques sabidos, bocas lambidas.

Decidiu sair. Trocou palavras com o acaso e combinou detalhes de uma noite que teria que ser quente, árdua e intensa.

Não usava uma roupa sexy, vulgar ou coisa assim. Usava um jeans que bem a contornava e uma blusa que deixava exposta suas costas que ela queria trazer de volta toda arranhada. E claro, trazia consigo seu melhor perfume e sua melhor calcinha.

Entrou em um bar que quase sempre costumava freqüentar, mas nunca com essa intenção e nunca sozinha. Sentou-se em uma mesa bem no canto, pediu uma cerveja e ficou ali, olhando em volta, pro nada, pra si mesma no espelho gigante que tinha bem na sua frente.

Recebia alguns olhares, mas nenhum a tinha interessado, Cecília estava cansada desses homens previsíveis, que fazem pose e graça, mas nunca trabalham com a língua até o final.

Até que um atraiu seu olhar e o bico dos seus seios. Era nada comum e nada diferente, ele Era e ponto. Mãos, cabelos, braços, boca, camiseta branca e jeans surrado.

Quando caiu por si, já tinha deixado o olhar por tempo suficiente a ponto de ele perceber e dar um sorriso de canto de boca.

E não quis disfarçar, retribuiu o sorriso com uma mordidinha discreta nos lábios inferiores.

Pronto, estava lançado o cheiro, a troca, o convite, o brinde à junção de órgãos, carne e ossos.

Não sabe dizer Cecília, quanto tempo se passou até que ele estava sentado em sua mesa, bebendo junto com ela, enquanto ela observava a estreita faixa branca que seu relógio deixava em sua pele bronzeada e aquilo a excitava. (excitação não carece de explicação).

Até que pra sentir gosto de bebidas diferentes, ele lhe ofereceu a boca como degustação, ela aceitou e se deliciou… era uma dádiva sentir aquela língua estranha, aquela saliva doce, queria todos os líquidos daquele homem tão dela e tão de outra qualquer.

Mas mãos não se contentam em ficar quietas enquanto a boca trabalha e não queriam que elas agissem fora dali, o desejo tinha urgência em acontecer, e ambos acabaram no banheiro, apertado, sujo, com rabiscos na parede (um que assim dizia: O amor vale a pena, PORRA), ela só conseguir sentir as mãos dele apertando-a contra a parede, o botão do seu jeans sendo aberto e a calça grosseiramente abaixada. Virou de costas pra sentir a barba dele (por fazer) roçar sua nuca, enquanto ele já a conhecia por dentro, com força, ritmo e tesão. Pediu que ele a mordesse nas costas, e ele o fazia… enquanto Cecília achava que o rebolado era um modo divertido de retribuir.

Vozes eram ouvidas a todo o momento, pessoas entravam e saiam. Cecília sabia que ainda ia sentir vergonha desse dia, mas sabia também que nunca mais ia precisar encontrar com ele, mas ele tinha doses altas e pouco recomendadas de tudo que ela queria de um homem.

Quando saiu do banheiro e conseguiu se olhar no espelho, sentiu-se orgulhosa. Estava toda descabelada, suada e com as costas arranhadas e mordidas. Era certo que seu cérebro ia fotografar aquele momento perfeito para uso posterior… nas noites em que ela achava que era melhor encostar as costas na almofada e ver TV.


8 Responses to “Um bar, goles e costas arranhadas…”


  1. 1 Fernanda Rino
    September 1, 2010 at 6:58 pm

    Ô Nanda depois de ler esse conto eu vou parar de andar com você. Essa sua cara de menina de oitava série nunca me enganou, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Mas olha, deu um calor, só não conta pra ninguém, ahahah

    Tem sido preciosos os dias que passamos juntas, beijos!

  2. September 1, 2010 at 8:08 pm

    Excelente desfecho, bela, excelente. Descreves a eroticidade de uma cena tão bem que, reticências. Melhor eu ir comentar logo em outro blogue. rs

    Beijocas, linda!

    – Ballet, o escambáu! Meu filho não será viado!
    – Aquele jogador do São Paulo é macho que só, né.
    Metendo a Colher, meu novo conto na Coluna Fantasma: http://www.colunafantasma.blogspot.com

  3. September 2, 2010 at 1:59 am

    à rua, camaradas!
    gostei bastante do conto.
    beijo.

  4. September 2, 2010 at 12:41 pm

    Não sei como, mas de alguma forma reconheci as paredes dessa alcova!
    Te beijo!

  5. 5 Shi
    September 2, 2010 at 3:27 pm

    Olha, eu não sou Cecília, juro por Deus! Quer dizer, bem… é… [carinha de vergonha] rsrsrs

  6. 6 Ju
    September 19, 2010 at 10:19 pm

    Essa Cecília tá dando o que falar…
    Costas arranhadas é?! Eu deveria me lembrar disso?!?! hehehehehe

    Beijos Nanda!!

  7. October 25, 2010 at 4:40 pm

    Camisinha são alienígenas nessas histórias (as reais e as ficcionais).

    Mas não é por isso que comentamos não. É porque você salvou o macho ao fazê-lo arranhar com mordidas — a barba ´por fazer arranharia, mas não a ponto de deixar marcas. Porque se fosse de outro jeito, bem…


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