Author Archive for Juliana Sandres

13
Dec
10

Soneto do calor total

Que seja tórrido enquanto é fogo
Que seja fogo, posto que é chama
Que queime tudo e me chamusque todo
Que chame calor, e me jogue na cama.

Chama o calor, chama o fogo
Chama, bem perto, me chama
Consome o ar, o fogo, que chama, sacana
Chama calor, queima e pingando chama, gozo.

Acendo-te como um bicho, simplesmente
Ardendo, sem querer mais apagar
Aqueço-me com um desejo maciço e permanente.

E de me aquecer tanto assim, saio do ar
Lambo teu corpo como fogo quente
Comendo o que tiver pela frente, sem querer parar.

08
Nov
10

Não foi sonho

Tinha tudo para ser uma daquelas noites loucas e quentes. Daquelas onde não se sabe onde começa um e onde termina o outro. Mas dessa vez foi diferente. As coisas tinham outro tom.
O carinho era intenso e não mais vazio, como antes. O carinho foi sentido na pele e no coração.
Seus olhos já me diziam tudo, mas você fez questão de repetir, eu ouvi calada e de olhos fechados, apenas senti seu calor se aproximando.
Não pegamos fogo, não queimamos, não ardemos, mas nos aquecemos. Nos sentimos apenas um, num simples abraço, que de simples não teve nada.
Foi um abraço longo e demorado, que só terminou na manhã seguinte e que me envolveu completamente.
Não sonhei… Não preciso sonhar quando seus braços me envolvem, quando sua mão alisa meus cabelos, quando sua boca beija minha nuca.
Dormi tranquila, como há muito não dormia, e pelo menos nessa noite, em seus braços, esqueci do mundo lá fora.

“Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu espero conseguir
Aceitar o que passou o que virá
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz

Hoje já sei que sou tudo que preciso ser
Não preciso me desculpar e nem te convencer
O mundo é radical
Não sei onde estou indo
Só sei que não estou perdido
Aprendi a viver um dia de cada vez”

(Só Por Hoje – Legião Urbana)

19
Oct
10

A verdade oculta

Te beijo em outras bocas

Te  tenho em outros corpos

Te toco em outras mãos

Te abraço em outros braços

Te vejo em outros olhos

Te sinto em outros toques


Me entrego aos olhos de quem não me vê
Me entrego às vontades que não são minhas
Me entrego às mãos que não sinto
Me entrego aos olhares que não vejo

A verdade é que…

—> Me entrego, para não me entregar. <—

19
Sep
10

Blackout

Beijos……… apagados,
Marcas esquecidas.

Cheiros desconhecidos,
Mãos e pés ……..cor…..ta…..dos,
bocas manchadas…

……………Olhares ………………………perdidos,
Suspiros
………………………sumidos.

O ponteiro rodou depressa demais…
Ele me acompanhou?! Eu o acompanhei?! Quem rodou atrás de quem?
Os ponteiros voaram, e nós?! Demos razantes?
As horas se perderam em mim, e eu fiquei….

……………………………………………………confusa,
……………………………………tonta.

Levantei, meio que sem saber, e me deitei novamente, ainda entorpecida.
Olhei pra cima, e vi o chão, em cima de minha cabeça.. Parecia que cairia a qualquer momento..
Eu estava errada, o teto estava sob meus pés, e eu não conseguia caminhar…

Estava tudo escuro…

As luzes continuam apagadas..

Foi Blackout,

Não encontro o interruptor.

16
Jul
10

*sem ar*

Eu achava que tudo seria mais fácil assim, na verdade eu tinha certeza… Nunca tive tanta certeza de algo, em toda minha vida! Seria tudo simples… Lento, mas simples… Eu tinha que ser forte! Só mais essa vez…

Você não me deixava mais respirar… Me perdi em seu ar, fiquei sem… Já não podia mais dizer que respirava, já não podia mais dizer que vivia… Já não podia mais dizer nada…
Estava morrendo aos poucos, eu tomava doses diárias de morte, à conta gotas. Não suportava mais isso… Eu queria ser livre….. De uma forma, ou de outra…

Por isso achei que assim, seria tudo mais fácil. Eu precisava tentar… Me salvar… Me curar dessa dor…

Por que continuar assim?! Por que?! Eu me perguntava… E eu nunca soube responder… Não fazia mais sentido!! Nada fazia mais sentido, nada nunca fez sentido! Essa é a verdade..

Pra que continuar prolongando essa situação?! Prefiro tentar acabar com tudo de uma vez…
Sim, eu sabia que iria sofrer, que seria uma dor lenta, que se faria doer… E que seguiria em minha alma, por toda a eternidade, mas eu não via outra saída! Era melhor sofrer tudo de uma vez e terminar logo com tudo isso…

Escrevi um bilhete:

.

Tomei duas garrafas de vinho para celebrar minha liberdade!
Fechei todas as portas e janelas, e liguei o gás………

Agora, eu vivo…
Em paz.

06
Jul
10

O conto do desencontro

Ela costumava sair sozinha pela cidade, onde todos se conheciam. Morava numa cidadela pequenúscula.
Era sempre vista pela noite, não se importava em sair desacompanhada e costumava falar com todos ao redor. Todos sabiam seu nome e conheciam suas histórias.
Ela nem precisava pedir, chegava aos lugares e logo era servida de seu drink predileto. Marguerita frozen, com gelo bem triturado, e dois canudinhos.

Certo dia, numa dessas saídas, avistou um homem, baixo mas bem interessante, enquanto tomava sua quarta marguerita. Dava pra notar que ele não era dali…
Ele veio em sua direção, e logo começaram a coversar. Ela tinha o riso solto, e toda vez que sorria ele lhe apertava as bochechas, rosadas do frio e do álcool.

Muitos drinks depois, na hora de ir embora, ela ofereceu-lhe uma carona. Entraram no carro e não demoraram a se beijar. Um beijo não muito longo, mas bem gostoso, despreocupado… um beijo bêbado, molhado.
Ele mordiscava-lhe o lábio inferior fazendo uma deliciosa e leve sucção. Ela delirou…

Deixou ele no hotel e partiu pra casa, ainda com aquele gosto na boca. Gosto do beijo, misturado com cerveja, tequila, malibu, caipirinha e licor de café. Uma miscelânea de sabores.

Dormiu.
No dia seguinte, ainda impregnada com o cheiro dele, se lembrou de que havia esquecido de lhe dar seu cartão, como ele havia pedido.
Decidiu voltar ao bar, e assim tentar descobrir alguma informação sobre o forasteiro desconhecido.
Assim que entrou no carro, viu uma garrafa de cerveja jogada no chão, em frente ao banco do carona, e não conseguia se lembrar de como ela havia parado lá. Só então se deu conta, de que não se lembrava de grande parte da noite.

Chegou no bar.
Começou a perguntar aos funcionários sobre o tal homem, mas todos disseram a mesma coisa “você estava sozinha aqui ontem”.
“Espera!” Disse ela. “Eu estava bêbeda, não me lembro muito bem da noite toda, mas tenho certeza de que havia um homem aqui comigo! Vocês estão de brincadeira?!”

“Não, eu tenho certeza” Disse um funcionário. “Você esteve sozinha a noite toda.” E todos os outros continuaram confirmando a história.
“Meu deus do céu, me ajude!” Suplicou ela. “Estou ficando louca?”

Os funcionários se entreolharam e deram de ombros. Foi então que um deles se pronunciou:
“Olha, nao é a primeira vez que isso acontece.”
Como assim?” Replica ela.
“Você já chegou aqui outras vezes, contando histórias semelhantes, perguntando por pessoas que ninguém nunca viu.” Disse ele.

Ela se deixou cair, esparramando-se numa cadeira larga que estava por perto. Então, totalmente perplexa, levantou um dos braços vagarosamente e num tom de desespero, fez seu último pedido são: “desce um chopp!”

01
Jul
10

Presente para olhos curiosos

Em dias comuns, qualquer coisa que dilate as pupilas e dispare o
coração, já faz aparecer um painel luminoso com letras grandes e
vermelhas, dizendo: “Valeu a pena”

.

Fim de tarde…
……………………………Corpos frios
Arrepios quentes
……………………………Gemidos.

Dedos,
…………………..Cabelos,
Enterrando,
……………………Puxando…

Numa dança sexy e envolvente.

Degustando,
……………….Explorando,
Famintos.

Meus olhos nem piscavam, se deliciavam…

Pernas entrelaçadas,
……………………………………Mãos ao redor,
A coxa nua.
……………………………………Carne viva,
No necrotério, frio.

…………………………………………………………………….Movimento de lá,
Paralisia de cá,
Estava atônia, observando,
…………………………………………………………………..Ouvindo,

Gemidos, sussurros.

Respiração ofegante
Não conseguia parar
………………………………………………….De olhar…

…….Fui embora
Mas a vontade ficou…

Um arrepio atrevido insistia em me percorrer.
Meu sorriso de canto denunciava minha vontade…
Meu desejo.

.

By Nanda Gregório & Ju Sandres




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“Falando absurdos, Virando a noite, Perdendo o senso, Derretendo satélites. Falando tudo, Voando a noite, Ouvindo estrelas…”

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