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28
Oct
10

Você tem fome de que?

Quando cheguei em casa você já estava lá, falando ao telefone, provavelmente resolvendo alguma pendência do dia. Te joguei um beijo,  você tirou o telefone do ouvido e me disse: “Que bom que você chegou, estou morrendo de fome.”

Não sabia se sentia alegria ou raiva, alegria por saber que você gosta da minha comida ou raiva por depois de um longo dia, ter que cozinhar.

Mas não pensei em mais nada, larguei a bolsa, lavei as mãos e fui preparar algo para comer. Não contava com a forte pressão da torneira e a água molhou toda minha blusa branca, ótimo, pra fechar o dia com chave de ouro.

Nisso você se aproximou, ficou atrás de mim com os braços envolvendo minha cintura, senti seu hálito quente no meu pescoço e meu corpo reagiu, num instante toda irritação desapareceu. Virei-me para te pedir pra me deixar terminar e você me beijou com tanta vontade que capaz que neste momento eu nem saberia mais meu nome. Pegou-me no colo, me levou até o banheiro e em instantes me despiu, revelando o que minha blusa branca e molhada já denunciava. Tirou sua roupa, ligou o chuveiro, a água morna passeava por minhas curvas junto com suas mãos, a excitação era tão intensa que minha única força era a de te puxar para mim. Nossas línguas se devoravam e meu corpo deslizava contra o seu, corpos quentes, sedentos de prazer. Senti suas mãos fortes me encostarem contra o box e me ofereci para você, salientando toda a curvatura da lombar. Nesse momento, o que exalava era o cheiro do nosso querer, o atrito gostoso de dois corpos ensaboados. O barulho dos pingos de água davam ainda mais ritmo ano nosso ballet completamente sacana.

Suas mãos faziam o trajeto do pecado: seios, barriga, coxas. Tudo dominado pela necessidade de ser sua.

De ballet fomos à ópera e alcançamos o ápice na nona  sinfonia de Bethoven, criando o nosso som, sussurrado, apertado, sentido, gozado.

Depois veio a calmaria, o momento final do espetáculo em que todos se levantam e aplaudem. Uma cena de cinema, sem personagens, sem fala decorada, sem direitos autorais. Tudo no improviso, tudo de verdade. Tudo você e eu.

Entrei debaixo do chuveiro sorrindo satisfeita e me sentindo tola, olhando pro meu corpo todo marcado, usado, entendi que a sua fome, a que disse ter quando cheguei, era essa.

 

“E eu me lembro do seu rosto
Do seu gosto
Dos seus dedos
Que entre os meus
Se confundiam
E pareciam
Ser um do outro
entrou pra sempre
Dentro
Do meu corpo
O seu corpo
Se escrevendo em minha pele
O amor nos perguntou
E nós dois dissemos que sim”

Santa Maria – Nando Reis

 

 

01
Sep
10

Um bar, goles e costas arranhadas…

Não era um dia comum. Em dias comuns Cecília não acordava com aquela vontade toda. Aquele desejo todo.

Olhou no caderninho que mantinha na bolsa e mentalmente buscou momentos que tinha passado com cada um daqueles nomes que saltava de uma tinta de caneta azul. Não queria mais reviver nenhum daqueles momentos. Cheiros conhecidos, toques sabidos, bocas lambidas.

Decidiu sair. Trocou palavras com o acaso e combinou detalhes de uma noite que teria que ser quente, árdua e intensa.

Não usava uma roupa sexy, vulgar ou coisa assim. Usava um jeans que bem a contornava e uma blusa que deixava exposta suas costas que ela queria trazer de volta toda arranhada. E claro, trazia consigo seu melhor perfume e sua melhor calcinha.

Entrou em um bar que quase sempre costumava freqüentar, mas nunca com essa intenção e nunca sozinha. Sentou-se em uma mesa bem no canto, pediu uma cerveja e ficou ali, olhando em volta, pro nada, pra si mesma no espelho gigante que tinha bem na sua frente.

Recebia alguns olhares, mas nenhum a tinha interessado, Cecília estava cansada desses homens previsíveis, que fazem pose e graça, mas nunca trabalham com a língua até o final.

Até que um atraiu seu olhar e o bico dos seus seios. Era nada comum e nada diferente, ele Era e ponto. Mãos, cabelos, braços, boca, camiseta branca e jeans surrado.

Quando caiu por si, já tinha deixado o olhar por tempo suficiente a ponto de ele perceber e dar um sorriso de canto de boca.

E não quis disfarçar, retribuiu o sorriso com uma mordidinha discreta nos lábios inferiores.

Pronto, estava lançado o cheiro, a troca, o convite, o brinde à junção de órgãos, carne e ossos.

Não sabe dizer Cecília, quanto tempo se passou até que ele estava sentado em sua mesa, bebendo junto com ela, enquanto ela observava a estreita faixa branca que seu relógio deixava em sua pele bronzeada e aquilo a excitava. (excitação não carece de explicação).

Até que pra sentir gosto de bebidas diferentes, ele lhe ofereceu a boca como degustação, ela aceitou e se deliciou… era uma dádiva sentir aquela língua estranha, aquela saliva doce, queria todos os líquidos daquele homem tão dela e tão de outra qualquer.

Mas mãos não se contentam em ficar quietas enquanto a boca trabalha e não queriam que elas agissem fora dali, o desejo tinha urgência em acontecer, e ambos acabaram no banheiro, apertado, sujo, com rabiscos na parede (um que assim dizia: O amor vale a pena, PORRA), ela só conseguir sentir as mãos dele apertando-a contra a parede, o botão do seu jeans sendo aberto e a calça grosseiramente abaixada. Virou de costas pra sentir a barba dele (por fazer) roçar sua nuca, enquanto ele já a conhecia por dentro, com força, ritmo e tesão. Pediu que ele a mordesse nas costas, e ele o fazia… enquanto Cecília achava que o rebolado era um modo divertido de retribuir.

Vozes eram ouvidas a todo o momento, pessoas entravam e saiam. Cecília sabia que ainda ia sentir vergonha desse dia, mas sabia também que nunca mais ia precisar encontrar com ele, mas ele tinha doses altas e pouco recomendadas de tudo que ela queria de um homem.

Quando saiu do banheiro e conseguiu se olhar no espelho, sentiu-se orgulhosa. Estava toda descabelada, suada e com as costas arranhadas e mordidas. Era certo que seu cérebro ia fotografar aquele momento perfeito para uso posterior… nas noites em que ela achava que era melhor encostar as costas na almofada e ver TV.

30
Jul
10

Vai!

Vai! Pode ir.

Tentarei esquecer quando eu era o roteiro de suas mãos aflitas em percorrer-me.

De quando sua boca me acariciava, sua língua me domava e seus ouvidos me recebiam. Recebiam as palavras proferidas sem pensar, com excitação tamanha que descia pela sua espinha e te provocava ainda mais.

Vai!

Não precisa me olhar assim. Isso que escorre não são lágrimas… é meu corpo que já transpira de saudade do desejo que provocas nele.

Quererei morrer nas noites que vir na parede, a sombra dos galhos das árvores das ruas, vou lembrar-me dos nossos corpos juntos, suados, penetrados. Calor, suor, fluídos, gemidos, arranhões e sede.

O que você ainda faz aí?

Não vê que meus seios respondem a esses seus olhares?

Não vê que de nada adianta amar o externo se o interno não te seduz mais?

Vai! Vai de uma vez!

Agora me tornei egoísta. Só pensarei no meu prazer. Não quero mais saber de amor, de romance, de telefone tocando no dia seguinte. Não quero mais saber de você.

Não quero mais nada de você.

Aliás, eu quero sim!

Antes de ir, venha aqui, me pegue pela cintura, levante meu vestido sem sutileza e me possua, me consuma. Derrama dentro de mim o teu líquido espesso e quente.

Gemo e sorrio, no auge do meu plano de egoísmo. Afinal, toda essa sua intensidade, todo seu espasmo, todo seu gozo, fui EU quem provocou. Portanto, sou dona.

Deixe-me sorver o que ficou em você, deixe-me abocanhar seu prazer. E me beije. Sinta em mim o seu gosto íntimo.

Vai!

Eu fico aqui, guardei seu gosto e seu cheiro em algum lugar da memória. Pra não morrer de vontade sua.

Pois então vai!
A porta esteve aberta o tempo todo
Sai!
Quem tá lhe segurando?
Você sabe voar

Pois então vai!
A porta na verdade nem existe
Sai!
O que está esperando?
Você sabe voar

(Ana Carolina – Vai)


09
Jul
10

Vem

Vem…
Transforma-me de menina em amante.
Faz-me perder os sentidos, o caminho de volta, a compostura, a saia.
Encontre-se nas minhas pupilas dilatadas de tesão.
Entre, encaixe, force, contraia, faça de mim sua morada.

Vem…
Deixa-me ser tua turista. Te explorar, degustar, conhecer, lamber.
Inflama-me com teu olhar malicioso.
Deixa-me delirar encaixada entre tuas pernas.

Vem…
Joga dentro da minha orelha todas as palavras chulas que sabes dizer.
Dê-me tua língua despreocupada, sem pressa, degluta-me.
Decifra o movimento dos meus quadris…

Vem…
Faz-me perder a pose, a compostura, a vergonha, faz-me perder tudo… menos o rebolado.

Isso  vem…
Faz meu corpo derramar em tua boca, em soluços, o pranto do desejo consumado.

Vem…

♫♫Seus pés se espalham em fivela e sandália
E o chão se abre por dois sorrisos
Virão guiando o seu corpo que é praia
De um escândalo, charme macio
Que cor terá se derreter?
Que som os lábios vão lamber?
Vem me ensinar a falar
Vem me ensinar te comer
Na minha boca agora mora o teu sexo
É a vista que os meus olhos querem ter
Sem precisar procurar
Nem descansar e adormecer

(…)

Só é possível te amar
Escorre aos litros o amor

(Nando Reis – No Recreio)

13
Jun
10

Entre olhares, mãos e coxas…


Parecia ser um dia como qualquer outro… Parecia.
Parou o carro no sinal vermelho enquanto ouvia Cássia Eller cantando “…quem sabe a vida é não sonhar?” quando algo lhe chamou a atenção no carro ao lado. Não era a marca do carro, a cor tão pouco, essas superficialidades não a atraiam… o olhar se fixou no braço que estava exposto, sentiu um arrepio curioso ao ver aquela mão. O braço moreno, um relógio de adorno… suspirou. A voz de Cássia agora lhe parecia distante, recostou sua cabeça no banco enquanto presenteava seus olhos com aquela visão. Alucinante, enebriante.

Do nada, o céu mudou de cor, o vento soprou diferente, as nuvens caíram e as luzes se apagaram por alguns longos segundos… Foi então que aquele homem misterioso entrou no mesmo espaço que ela. Aquela mão perfeita a invadiu de forma bruta, dominando suas coxas, invadindo seu vestido floral, caminhando por sua pele, assim, sem pedir licença, sem pedir passagem, sem pedir…
Começou lendo suas curvas, sua barriga, suas texturas, leu todos os seus contornos. Ela não reagiu, era um momento de entrega a um arrepio, a um desejo, descontrolado. Ela estava incontrolavelmente entregue. Sentiu o gelado da matéria do relógio contrastando com a pele quente. Arrepiou-se…

Sentia que não se pertencia mais, entrou em êxtase, seus quadris se contraiam e todo fogo de sua pele morena se transformou em desejo líquido, banhado por seu suor.

Nesse momento foi subtamente desperta pelas buzinas dos carros que estavam parados atrás. A mão tentadora já havia seguido seu caminho e se deu conta de que tudo havia sido fruto de sua própria imaginação. Uma imaginação sem rosto, sem nome e sem fala. Mas com cheiro, sabor e cores…

O desejo não precisa de muitas qualificações para ser intenso. E a intensidade não pode ser qualificada. Desejo e ponto.

Nanda




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“Falando absurdos, Virando a noite, Perdendo o senso, Derretendo satélites. Falando tudo, Voando a noite, Ouvindo estrelas…”

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