Archive for the 'Corpo [in]sano, mente sã' Category

26
Jan
11

O Telefone

Toca o telefone. Atendo. Tua voz do outro lado me diz que estás no lugar errado, que eu estou no lugar errado.

Me descobres nua, mesmo à distância. Eu o adivinho duro, mesmo sem tocá-lo.

E na tua voz excitada, vou caminhando para o nosso prazer. Apalpando-me, como se fossem tuas as mãos. Convidando-o a me descobrir. Enquanto sussurro de mim, eu suspiro a saudade que sinto do toque que já tive.

(e ainda quero)

Suspiro de novo.

Sorriu? Até posso ouví-lo.

Vou guiando teus passos, na minha boca vai crescendo a tua nostalgia, nas minhas falas vais enlouquecendo em demasia, na respiração – em que ofego – percebo que ofegas também.

Até quanta distância crescerá o nosso desejo?
Eu me masturbo arqueada na cama quase em desespero.
E ouço o teu arquejar nas ondas do telefone.

Fala para mim aquelas sensações, fala o que queres de mim quando estivermos juntos, lembra tudo que fizemos, as nossas escapadas. Desde quando cativado pelo meu ombro nu, até o meu sofá na nossa madrugada.

Fala.
E me deixa sentir tua voz, como se fosse a tua boca.
Permita-me desejar-te, quase que como louca.

E junto comigo… se perde de si na minha perdição.

Shakti

10
Jan
11

O Bar (conto 4/4)

 

Acorda.
Deixe-me querido. Não quero mais carinhos, afagos ou o teu telefone. Te escolhi pelo olhar voraz, pelo agora que me satisfaz, mais nada quero de ti. Dê o fora de mim. Se te usei, usando-me junto, tornamo-nos cúmplices do sexo imundo e parceiros de jogos carnais. Foi sexo, foi gozo, teu membro em mim. Oralmente, na vagina, foi tesão o que senti e o orgasmo foi o pecado que cometi.

E foi o fim.

Agora, ouça-me, dê o fora de mim.

Shakti

04
Jan
11

Sentidos

Sua mão

PASSEANDO

No meu corpo

 

Sua boca

DEGUSTANDO

Minha pele

 

Sua língua

SENTINDO

Meu gosto

Seus olhos

me

DEVORANDO

 

Seu [meu] suor

IMPREGNADO

em nós

.

 

 

28
Oct
10

Você tem fome de que?

Quando cheguei em casa você já estava lá, falando ao telefone, provavelmente resolvendo alguma pendência do dia. Te joguei um beijo,  você tirou o telefone do ouvido e me disse: “Que bom que você chegou, estou morrendo de fome.”

Não sabia se sentia alegria ou raiva, alegria por saber que você gosta da minha comida ou raiva por depois de um longo dia, ter que cozinhar.

Mas não pensei em mais nada, larguei a bolsa, lavei as mãos e fui preparar algo para comer. Não contava com a forte pressão da torneira e a água molhou toda minha blusa branca, ótimo, pra fechar o dia com chave de ouro.

Nisso você se aproximou, ficou atrás de mim com os braços envolvendo minha cintura, senti seu hálito quente no meu pescoço e meu corpo reagiu, num instante toda irritação desapareceu. Virei-me para te pedir pra me deixar terminar e você me beijou com tanta vontade que capaz que neste momento eu nem saberia mais meu nome. Pegou-me no colo, me levou até o banheiro e em instantes me despiu, revelando o que minha blusa branca e molhada já denunciava. Tirou sua roupa, ligou o chuveiro, a água morna passeava por minhas curvas junto com suas mãos, a excitação era tão intensa que minha única força era a de te puxar para mim. Nossas línguas se devoravam e meu corpo deslizava contra o seu, corpos quentes, sedentos de prazer. Senti suas mãos fortes me encostarem contra o box e me ofereci para você, salientando toda a curvatura da lombar. Nesse momento, o que exalava era o cheiro do nosso querer, o atrito gostoso de dois corpos ensaboados. O barulho dos pingos de água davam ainda mais ritmo ano nosso ballet completamente sacana.

Suas mãos faziam o trajeto do pecado: seios, barriga, coxas. Tudo dominado pela necessidade de ser sua.

De ballet fomos à ópera e alcançamos o ápice na nona  sinfonia de Bethoven, criando o nosso som, sussurrado, apertado, sentido, gozado.

Depois veio a calmaria, o momento final do espetáculo em que todos se levantam e aplaudem. Uma cena de cinema, sem personagens, sem fala decorada, sem direitos autorais. Tudo no improviso, tudo de verdade. Tudo você e eu.

Entrei debaixo do chuveiro sorrindo satisfeita e me sentindo tola, olhando pro meu corpo todo marcado, usado, entendi que a sua fome, a que disse ter quando cheguei, era essa.

 

“E eu me lembro do seu rosto
Do seu gosto
Dos seus dedos
Que entre os meus
Se confundiam
E pareciam
Ser um do outro
entrou pra sempre
Dentro
Do meu corpo
O seu corpo
Se escrevendo em minha pele
O amor nos perguntou
E nós dois dissemos que sim”

Santa Maria – Nando Reis

 

 

01
Sep
10

Um bar, goles e costas arranhadas…

Não era um dia comum. Em dias comuns Cecília não acordava com aquela vontade toda. Aquele desejo todo.

Olhou no caderninho que mantinha na bolsa e mentalmente buscou momentos que tinha passado com cada um daqueles nomes que saltava de uma tinta de caneta azul. Não queria mais reviver nenhum daqueles momentos. Cheiros conhecidos, toques sabidos, bocas lambidas.

Decidiu sair. Trocou palavras com o acaso e combinou detalhes de uma noite que teria que ser quente, árdua e intensa.

Não usava uma roupa sexy, vulgar ou coisa assim. Usava um jeans que bem a contornava e uma blusa que deixava exposta suas costas que ela queria trazer de volta toda arranhada. E claro, trazia consigo seu melhor perfume e sua melhor calcinha.

Entrou em um bar que quase sempre costumava freqüentar, mas nunca com essa intenção e nunca sozinha. Sentou-se em uma mesa bem no canto, pediu uma cerveja e ficou ali, olhando em volta, pro nada, pra si mesma no espelho gigante que tinha bem na sua frente.

Recebia alguns olhares, mas nenhum a tinha interessado, Cecília estava cansada desses homens previsíveis, que fazem pose e graça, mas nunca trabalham com a língua até o final.

Até que um atraiu seu olhar e o bico dos seus seios. Era nada comum e nada diferente, ele Era e ponto. Mãos, cabelos, braços, boca, camiseta branca e jeans surrado.

Quando caiu por si, já tinha deixado o olhar por tempo suficiente a ponto de ele perceber e dar um sorriso de canto de boca.

E não quis disfarçar, retribuiu o sorriso com uma mordidinha discreta nos lábios inferiores.

Pronto, estava lançado o cheiro, a troca, o convite, o brinde à junção de órgãos, carne e ossos.

Não sabe dizer Cecília, quanto tempo se passou até que ele estava sentado em sua mesa, bebendo junto com ela, enquanto ela observava a estreita faixa branca que seu relógio deixava em sua pele bronzeada e aquilo a excitava. (excitação não carece de explicação).

Até que pra sentir gosto de bebidas diferentes, ele lhe ofereceu a boca como degustação, ela aceitou e se deliciou… era uma dádiva sentir aquela língua estranha, aquela saliva doce, queria todos os líquidos daquele homem tão dela e tão de outra qualquer.

Mas mãos não se contentam em ficar quietas enquanto a boca trabalha e não queriam que elas agissem fora dali, o desejo tinha urgência em acontecer, e ambos acabaram no banheiro, apertado, sujo, com rabiscos na parede (um que assim dizia: O amor vale a pena, PORRA), ela só conseguir sentir as mãos dele apertando-a contra a parede, o botão do seu jeans sendo aberto e a calça grosseiramente abaixada. Virou de costas pra sentir a barba dele (por fazer) roçar sua nuca, enquanto ele já a conhecia por dentro, com força, ritmo e tesão. Pediu que ele a mordesse nas costas, e ele o fazia… enquanto Cecília achava que o rebolado era um modo divertido de retribuir.

Vozes eram ouvidas a todo o momento, pessoas entravam e saiam. Cecília sabia que ainda ia sentir vergonha desse dia, mas sabia também que nunca mais ia precisar encontrar com ele, mas ele tinha doses altas e pouco recomendadas de tudo que ela queria de um homem.

Quando saiu do banheiro e conseguiu se olhar no espelho, sentiu-se orgulhosa. Estava toda descabelada, suada e com as costas arranhadas e mordidas. Era certo que seu cérebro ia fotografar aquele momento perfeito para uso posterior… nas noites em que ela achava que era melhor encostar as costas na almofada e ver TV.

30
Jul
10

Vai!

Vai! Pode ir.

Tentarei esquecer quando eu era o roteiro de suas mãos aflitas em percorrer-me.

De quando sua boca me acariciava, sua língua me domava e seus ouvidos me recebiam. Recebiam as palavras proferidas sem pensar, com excitação tamanha que descia pela sua espinha e te provocava ainda mais.

Vai!

Não precisa me olhar assim. Isso que escorre não são lágrimas… é meu corpo que já transpira de saudade do desejo que provocas nele.

Quererei morrer nas noites que vir na parede, a sombra dos galhos das árvores das ruas, vou lembrar-me dos nossos corpos juntos, suados, penetrados. Calor, suor, fluídos, gemidos, arranhões e sede.

O que você ainda faz aí?

Não vê que meus seios respondem a esses seus olhares?

Não vê que de nada adianta amar o externo se o interno não te seduz mais?

Vai! Vai de uma vez!

Agora me tornei egoísta. Só pensarei no meu prazer. Não quero mais saber de amor, de romance, de telefone tocando no dia seguinte. Não quero mais saber de você.

Não quero mais nada de você.

Aliás, eu quero sim!

Antes de ir, venha aqui, me pegue pela cintura, levante meu vestido sem sutileza e me possua, me consuma. Derrama dentro de mim o teu líquido espesso e quente.

Gemo e sorrio, no auge do meu plano de egoísmo. Afinal, toda essa sua intensidade, todo seu espasmo, todo seu gozo, fui EU quem provocou. Portanto, sou dona.

Deixe-me sorver o que ficou em você, deixe-me abocanhar seu prazer. E me beije. Sinta em mim o seu gosto íntimo.

Vai!

Eu fico aqui, guardei seu gosto e seu cheiro em algum lugar da memória. Pra não morrer de vontade sua.

Pois então vai!
A porta esteve aberta o tempo todo
Sai!
Quem tá lhe segurando?
Você sabe voar

Pois então vai!
A porta na verdade nem existe
Sai!
O que está esperando?
Você sabe voar

(Ana Carolina – Vai)


22
Jul
10

O Bar (conto 3/4)

Lá dentro tem gente. E estamos nós. Mal quero carinhos, poucas preliminares. Quero a ele pertencer enquanto meu gozo me alcança. Quero nos pertencer nesses minutos que antecedem o fim dessa noite. E o seu corpo investindo no meu, pressionada entre tua pele [dura] e a parede [dura]. Não grito. Não quero. Não preciso. Meu corpo estremece enquanto suas mãos me percorrem inteira. Eu pulso, você pulsa. Para que mais perguntas? Não diga nada. Investe em meu corpo com a sua armada, que o quero ali. Talvez só aqui. Talvez…

[mais sede. mais fome.]
[vamos sair daqui? A quero toda.]
[Eu o quero.]
[vam´bora?]
[sim]

No apartamento pequeno, grandes éramos nós. Arranquei essas roupas, tinha pressa de devorá-lo. Na cama desarrumada nos jogamos inteiros e o sexo se fez. Tocar, lamber, desgustar para me perder [em você]. E em mim reconhecia cada covinha, traçava as mãos em minhas coxas e eu as amarrava em você. Repuxava meu cabelo, cavalgava em pêlo e nada mais eu queria.
[só mais uma mordida]
Entre tapas, carícias, suguei seu corpo, a essência, o carisma.
Entre posições [das mais loucas] e o sexo em sua boca, e eu era só eu.
Éramos um prazer e estávamos prontos… para nos desfazer.




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“Falando absurdos, Virando a noite, Perdendo o senso, Derretendo satélites. Falando tudo, Voando a noite, Ouvindo estrelas…”

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