Archive for the 'Destilando bobagens' Category

13
Dec
10

Soneto do calor total

Que seja tórrido enquanto é fogo
Que seja fogo, posto que é chama
Que queime tudo e me chamusque todo
Que chame calor, e me jogue na cama.

Chama o calor, chama o fogo
Chama, bem perto, me chama
Consome o ar, o fogo, que chama, sacana
Chama calor, queima e pingando chama, gozo.

Acendo-te como um bicho, simplesmente
Ardendo, sem querer mais apagar
Aqueço-me com um desejo maciço e permanente.

E de me aquecer tanto assim, saio do ar
Lambo teu corpo como fogo quente
Comendo o que tiver pela frente, sem querer parar.

06
Jul
10

O conto do desencontro

Ela costumava sair sozinha pela cidade, onde todos se conheciam. Morava numa cidadela pequenúscula.
Era sempre vista pela noite, não se importava em sair desacompanhada e costumava falar com todos ao redor. Todos sabiam seu nome e conheciam suas histórias.
Ela nem precisava pedir, chegava aos lugares e logo era servida de seu drink predileto. Marguerita frozen, com gelo bem triturado, e dois canudinhos.

Certo dia, numa dessas saídas, avistou um homem, baixo mas bem interessante, enquanto tomava sua quarta marguerita. Dava pra notar que ele não era dali…
Ele veio em sua direção, e logo começaram a coversar. Ela tinha o riso solto, e toda vez que sorria ele lhe apertava as bochechas, rosadas do frio e do álcool.

Muitos drinks depois, na hora de ir embora, ela ofereceu-lhe uma carona. Entraram no carro e não demoraram a se beijar. Um beijo não muito longo, mas bem gostoso, despreocupado… um beijo bêbado, molhado.
Ele mordiscava-lhe o lábio inferior fazendo uma deliciosa e leve sucção. Ela delirou…

Deixou ele no hotel e partiu pra casa, ainda com aquele gosto na boca. Gosto do beijo, misturado com cerveja, tequila, malibu, caipirinha e licor de café. Uma miscelânea de sabores.

Dormiu.
No dia seguinte, ainda impregnada com o cheiro dele, se lembrou de que havia esquecido de lhe dar seu cartão, como ele havia pedido.
Decidiu voltar ao bar, e assim tentar descobrir alguma informação sobre o forasteiro desconhecido.
Assim que entrou no carro, viu uma garrafa de cerveja jogada no chão, em frente ao banco do carona, e não conseguia se lembrar de como ela havia parado lá. Só então se deu conta, de que não se lembrava de grande parte da noite.

Chegou no bar.
Começou a perguntar aos funcionários sobre o tal homem, mas todos disseram a mesma coisa “você estava sozinha aqui ontem”.
“Espera!” Disse ela. “Eu estava bêbeda, não me lembro muito bem da noite toda, mas tenho certeza de que havia um homem aqui comigo! Vocês estão de brincadeira?!”

“Não, eu tenho certeza” Disse um funcionário. “Você esteve sozinha a noite toda.” E todos os outros continuaram confirmando a história.
“Meu deus do céu, me ajude!” Suplicou ela. “Estou ficando louca?”

Os funcionários se entreolharam e deram de ombros. Foi então que um deles se pronunciou:
“Olha, nao é a primeira vez que isso acontece.”
Como assim?” Replica ela.
“Você já chegou aqui outras vezes, contando histórias semelhantes, perguntando por pessoas que ninguém nunca viu.” Disse ele.

Ela se deixou cair, esparramando-se numa cadeira larga que estava por perto. Então, totalmente perplexa, levantou um dos braços vagarosamente e num tom de desespero, fez seu último pedido são: “desce um chopp!”

18
Jun
10

No ato

dan
Ro………….do
..dan
GI….RAN….DO

 ......Sussurrando

GRITANDO

……………..Saindo
Entrando…………………Corpo

………………………..SUANDO………….. Sua

Barba ……………………………………ARRANHANDO

Saindo
…………………..Entrando
…….De

l
a…………………………………………………….o
d…………………………………………………….t
o…………………………………………………….r

…………………..Meio……………………….o

T

………………Assim,

No ato.

.

“Me aqueça!
Me vira de ponta cabeça
Me faz de gato e sapato
Me deixa de quatro no ato
Me enche de amor, de amor”

(Lança perfume – Rita Lee e Roberto Carvalho)

13
Jun
10

Entre olhares, mãos e coxas…


Parecia ser um dia como qualquer outro… Parecia.
Parou o carro no sinal vermelho enquanto ouvia Cássia Eller cantando “…quem sabe a vida é não sonhar?” quando algo lhe chamou a atenção no carro ao lado. Não era a marca do carro, a cor tão pouco, essas superficialidades não a atraiam… o olhar se fixou no braço que estava exposto, sentiu um arrepio curioso ao ver aquela mão. O braço moreno, um relógio de adorno… suspirou. A voz de Cássia agora lhe parecia distante, recostou sua cabeça no banco enquanto presenteava seus olhos com aquela visão. Alucinante, enebriante.

Do nada, o céu mudou de cor, o vento soprou diferente, as nuvens caíram e as luzes se apagaram por alguns longos segundos… Foi então que aquele homem misterioso entrou no mesmo espaço que ela. Aquela mão perfeita a invadiu de forma bruta, dominando suas coxas, invadindo seu vestido floral, caminhando por sua pele, assim, sem pedir licença, sem pedir passagem, sem pedir…
Começou lendo suas curvas, sua barriga, suas texturas, leu todos os seus contornos. Ela não reagiu, era um momento de entrega a um arrepio, a um desejo, descontrolado. Ela estava incontrolavelmente entregue. Sentiu o gelado da matéria do relógio contrastando com a pele quente. Arrepiou-se…

Sentia que não se pertencia mais, entrou em êxtase, seus quadris se contraiam e todo fogo de sua pele morena se transformou em desejo líquido, banhado por seu suor.

Nesse momento foi subtamente desperta pelas buzinas dos carros que estavam parados atrás. A mão tentadora já havia seguido seu caminho e se deu conta de que tudo havia sido fruto de sua própria imaginação. Uma imaginação sem rosto, sem nome e sem fala. Mas com cheiro, sabor e cores…

O desejo não precisa de muitas qualificações para ser intenso. E a intensidade não pode ser qualificada. Desejo e ponto.

Nanda

31
May
10

O Encontro

Ela estava de mudança e seu apartamento vazio, tornou-se cenário para encontros furtivos.
Ainda tinha por lá, algumas poucas coisas, mas não havia mais cama.. apenas um sofá branco, um tapete felpudo e umas garrafas de vinho tinto.
E luz agora, apenas das velas…

Numa sexta-feira, chega a mensagem:
“Hoje vc é minha… Toda!! Te encontro lá as 6”

Ela então saiu correndo.. Pegou o telefone e cancelou seus
compromissos, dizendo ter que trabalhar. Comprou uns queijos e umas
frutas e foi direto pro apartamento, arrumar tudo.

A campainha toca, ela dá um pulo, e vai ansiosa atender…
Mal gira a chave, e em questão de segundos, a porta se abre e se fecha, e ela agora já está tomada por aqueles braços morenos.

Ele foi entrando com tudo, já pegando pelos seus cabelos, beijando sua nuca, lhe arrancando a roupa… Lhe deixando deliciosamente nua.
Logo, estavam rolando pelo chão da sala vazia, antes fria, mas que agora fervia.
O frio passava longe dali…

Ele pegou sua camisa e amarrou-lhe as mãos, [ela não resistiu] então abriu uma garrafa de vinho e despejou um pouco em cima do corpo desnudo e teso, e começou a lamber as gotas que escorriam por sua pele, branca e lisa… Lambeu tudo, dos pés à cabeça. Ele a bebeu…
Ela, sem ação, apenas se contorcia de paixão. Mergulhada naquela luxúria, gemia sem controle. Quase perdeu os sentidos. Gozou…

……….

Então, ele vendou-lhe os olhos, e mais uma vez, ela não esboçou reação.
Ela estava lá, deitada no chão, totalmente desprotegida, amarrada e vendada, numa sala quase vazia,
à luz de velas… Esperando pelo próximo passo.

Ele foi passando a mão, de leve, contornando seu corpo indefeso, chupou seu peito, como que de passagem, e começou a dizer-lhe bobagens ao ouvido.
Aquela boca úmida do vinho, ofegante, sussurrando, mordiscando sua orelha, a deixava louca.
E sem nem tocá-la novamente, ela se arrepiou de repente, e se contorceu toda… Gemendo de tanto prazer.

Os corpos se procuravam, se invadiam, se tomavam, de desejo. Deslizavam, um sobre o outro, deslizavam, um dentro do outro, em sintonia perfeita.
Em movimentos compassados, os corpos se encaixavam, se devoravam… Vorazmente, alucinadamente.

Quando a noite chegou ao fim, a satisfação era evidente, em seu sorriso preso [entre os dentes], em seus olhos revirados [quase que fechados], em seu cabelo emaranhado [assim, jogado].




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“Falando absurdos, Virando a noite, Perdendo o senso, Derretendo satélites. Falando tudo, Voando a noite, Ouvindo estrelas…”

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