Archive for the 'Malditas colaborações' Category

13
Jun
10

Entre olhares, mãos e coxas…


Parecia ser um dia como qualquer outro… Parecia.
Parou o carro no sinal vermelho enquanto ouvia Cássia Eller cantando “…quem sabe a vida é não sonhar?” quando algo lhe chamou a atenção no carro ao lado. Não era a marca do carro, a cor tão pouco, essas superficialidades não a atraiam… o olhar se fixou no braço que estava exposto, sentiu um arrepio curioso ao ver aquela mão. O braço moreno, um relógio de adorno… suspirou. A voz de Cássia agora lhe parecia distante, recostou sua cabeça no banco enquanto presenteava seus olhos com aquela visão. Alucinante, enebriante.

Do nada, o céu mudou de cor, o vento soprou diferente, as nuvens caíram e as luzes se apagaram por alguns longos segundos… Foi então que aquele homem misterioso entrou no mesmo espaço que ela. Aquela mão perfeita a invadiu de forma bruta, dominando suas coxas, invadindo seu vestido floral, caminhando por sua pele, assim, sem pedir licença, sem pedir passagem, sem pedir…
Começou lendo suas curvas, sua barriga, suas texturas, leu todos os seus contornos. Ela não reagiu, era um momento de entrega a um arrepio, a um desejo, descontrolado. Ela estava incontrolavelmente entregue. Sentiu o gelado da matéria do relógio contrastando com a pele quente. Arrepiou-se…

Sentia que não se pertencia mais, entrou em êxtase, seus quadris se contraiam e todo fogo de sua pele morena se transformou em desejo líquido, banhado por seu suor.

Nesse momento foi subtamente desperta pelas buzinas dos carros que estavam parados atrás. A mão tentadora já havia seguido seu caminho e se deu conta de que tudo havia sido fruto de sua própria imaginação. Uma imaginação sem rosto, sem nome e sem fala. Mas com cheiro, sabor e cores…

O desejo não precisa de muitas qualificações para ser intenso. E a intensidade não pode ser qualificada. Desejo e ponto.

Nanda

06
Jun
10

O Bar (conto 1/4)

Woman at Bar, por DR4eva


No balcão eu espero. Viro uma dose a mais de tequila e limão. O sal está na minha mão e se espalha. Pequenas gotas de água salgada compõe um dueto com a minha pele. Minha mão afaga a testa e viro-me de frente para a pista observando: quero um alvo. Um tiro certo no escuro. Poetas de olhos mortiços, saiam do meu caminho. Não estou preocupada com a inteligência alheia hoje, é a pele o meu impulso. Sou carne molhada, intensa e quero satisfazer esse intento. Vejo alguém que me olha e me engole nos olhos famintos. A minha presa hoje é aquele que farejei e deseja me caçar, apalpar e romper. Poesia fica para outro dia. Tenho fome de ser comida.

Shakti




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“Falando absurdos, Virando a noite, Perdendo o senso, Derretendo satélites. Falando tudo, Voando a noite, Ouvindo estrelas…”

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