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19
Oct
10

A verdade oculta

Te beijo em outras bocas

Te  tenho em outros corpos

Te toco em outras mãos

Te abraço em outros braços

Te vejo em outros olhos

Te sinto em outros toques


Me entrego aos olhos de quem não me vê
Me entrego às vontades que não são minhas
Me entrego às mãos que não sinto
Me entrego aos olhares que não vejo

A verdade é que…

—> Me entrego, para não me entregar. <—

19
Sep
10

Blackout

Beijos……… apagados,
Marcas esquecidas.

Cheiros desconhecidos,
Mãos e pés ……..cor…..ta…..dos,
bocas manchadas…

……………Olhares ………………………perdidos,
Suspiros
………………………sumidos.

O ponteiro rodou depressa demais…
Ele me acompanhou?! Eu o acompanhei?! Quem rodou atrás de quem?
Os ponteiros voaram, e nós?! Demos razantes?
As horas se perderam em mim, e eu fiquei….

……………………………………………………confusa,
……………………………………tonta.

Levantei, meio que sem saber, e me deitei novamente, ainda entorpecida.
Olhei pra cima, e vi o chão, em cima de minha cabeça.. Parecia que cairia a qualquer momento..
Eu estava errada, o teto estava sob meus pés, e eu não conseguia caminhar…

Estava tudo escuro…

As luzes continuam apagadas..

Foi Blackout,

Não encontro o interruptor.

01
Sep
10

Um bar, goles e costas arranhadas…

Não era um dia comum. Em dias comuns Cecília não acordava com aquela vontade toda. Aquele desejo todo.

Olhou no caderninho que mantinha na bolsa e mentalmente buscou momentos que tinha passado com cada um daqueles nomes que saltava de uma tinta de caneta azul. Não queria mais reviver nenhum daqueles momentos. Cheiros conhecidos, toques sabidos, bocas lambidas.

Decidiu sair. Trocou palavras com o acaso e combinou detalhes de uma noite que teria que ser quente, árdua e intensa.

Não usava uma roupa sexy, vulgar ou coisa assim. Usava um jeans que bem a contornava e uma blusa que deixava exposta suas costas que ela queria trazer de volta toda arranhada. E claro, trazia consigo seu melhor perfume e sua melhor calcinha.

Entrou em um bar que quase sempre costumava freqüentar, mas nunca com essa intenção e nunca sozinha. Sentou-se em uma mesa bem no canto, pediu uma cerveja e ficou ali, olhando em volta, pro nada, pra si mesma no espelho gigante que tinha bem na sua frente.

Recebia alguns olhares, mas nenhum a tinha interessado, Cecília estava cansada desses homens previsíveis, que fazem pose e graça, mas nunca trabalham com a língua até o final.

Até que um atraiu seu olhar e o bico dos seus seios. Era nada comum e nada diferente, ele Era e ponto. Mãos, cabelos, braços, boca, camiseta branca e jeans surrado.

Quando caiu por si, já tinha deixado o olhar por tempo suficiente a ponto de ele perceber e dar um sorriso de canto de boca.

E não quis disfarçar, retribuiu o sorriso com uma mordidinha discreta nos lábios inferiores.

Pronto, estava lançado o cheiro, a troca, o convite, o brinde à junção de órgãos, carne e ossos.

Não sabe dizer Cecília, quanto tempo se passou até que ele estava sentado em sua mesa, bebendo junto com ela, enquanto ela observava a estreita faixa branca que seu relógio deixava em sua pele bronzeada e aquilo a excitava. (excitação não carece de explicação).

Até que pra sentir gosto de bebidas diferentes, ele lhe ofereceu a boca como degustação, ela aceitou e se deliciou… era uma dádiva sentir aquela língua estranha, aquela saliva doce, queria todos os líquidos daquele homem tão dela e tão de outra qualquer.

Mas mãos não se contentam em ficar quietas enquanto a boca trabalha e não queriam que elas agissem fora dali, o desejo tinha urgência em acontecer, e ambos acabaram no banheiro, apertado, sujo, com rabiscos na parede (um que assim dizia: O amor vale a pena, PORRA), ela só conseguir sentir as mãos dele apertando-a contra a parede, o botão do seu jeans sendo aberto e a calça grosseiramente abaixada. Virou de costas pra sentir a barba dele (por fazer) roçar sua nuca, enquanto ele já a conhecia por dentro, com força, ritmo e tesão. Pediu que ele a mordesse nas costas, e ele o fazia… enquanto Cecília achava que o rebolado era um modo divertido de retribuir.

Vozes eram ouvidas a todo o momento, pessoas entravam e saiam. Cecília sabia que ainda ia sentir vergonha desse dia, mas sabia também que nunca mais ia precisar encontrar com ele, mas ele tinha doses altas e pouco recomendadas de tudo que ela queria de um homem.

Quando saiu do banheiro e conseguiu se olhar no espelho, sentiu-se orgulhosa. Estava toda descabelada, suada e com as costas arranhadas e mordidas. Era certo que seu cérebro ia fotografar aquele momento perfeito para uso posterior… nas noites em que ela achava que era melhor encostar as costas na almofada e ver TV.

30
Jul
10

Vai!

Vai! Pode ir.

Tentarei esquecer quando eu era o roteiro de suas mãos aflitas em percorrer-me.

De quando sua boca me acariciava, sua língua me domava e seus ouvidos me recebiam. Recebiam as palavras proferidas sem pensar, com excitação tamanha que descia pela sua espinha e te provocava ainda mais.

Vai!

Não precisa me olhar assim. Isso que escorre não são lágrimas… é meu corpo que já transpira de saudade do desejo que provocas nele.

Quererei morrer nas noites que vir na parede, a sombra dos galhos das árvores das ruas, vou lembrar-me dos nossos corpos juntos, suados, penetrados. Calor, suor, fluídos, gemidos, arranhões e sede.

O que você ainda faz aí?

Não vê que meus seios respondem a esses seus olhares?

Não vê que de nada adianta amar o externo se o interno não te seduz mais?

Vai! Vai de uma vez!

Agora me tornei egoísta. Só pensarei no meu prazer. Não quero mais saber de amor, de romance, de telefone tocando no dia seguinte. Não quero mais saber de você.

Não quero mais nada de você.

Aliás, eu quero sim!

Antes de ir, venha aqui, me pegue pela cintura, levante meu vestido sem sutileza e me possua, me consuma. Derrama dentro de mim o teu líquido espesso e quente.

Gemo e sorrio, no auge do meu plano de egoísmo. Afinal, toda essa sua intensidade, todo seu espasmo, todo seu gozo, fui EU quem provocou. Portanto, sou dona.

Deixe-me sorver o que ficou em você, deixe-me abocanhar seu prazer. E me beije. Sinta em mim o seu gosto íntimo.

Vai!

Eu fico aqui, guardei seu gosto e seu cheiro em algum lugar da memória. Pra não morrer de vontade sua.

Pois então vai!
A porta esteve aberta o tempo todo
Sai!
Quem tá lhe segurando?
Você sabe voar

Pois então vai!
A porta na verdade nem existe
Sai!
O que está esperando?
Você sabe voar

(Ana Carolina – Vai)


22
Jul
10

O Bar (conto 3/4)

Lá dentro tem gente. E estamos nós. Mal quero carinhos, poucas preliminares. Quero a ele pertencer enquanto meu gozo me alcança. Quero nos pertencer nesses minutos que antecedem o fim dessa noite. E o seu corpo investindo no meu, pressionada entre tua pele [dura] e a parede [dura]. Não grito. Não quero. Não preciso. Meu corpo estremece enquanto suas mãos me percorrem inteira. Eu pulso, você pulsa. Para que mais perguntas? Não diga nada. Investe em meu corpo com a sua armada, que o quero ali. Talvez só aqui. Talvez…

[mais sede. mais fome.]
[vamos sair daqui? A quero toda.]
[Eu o quero.]
[vam´bora?]
[sim]

No apartamento pequeno, grandes éramos nós. Arranquei essas roupas, tinha pressa de devorá-lo. Na cama desarrumada nos jogamos inteiros e o sexo se fez. Tocar, lamber, desgustar para me perder [em você]. E em mim reconhecia cada covinha, traçava as mãos em minhas coxas e eu as amarrava em você. Repuxava meu cabelo, cavalgava em pêlo e nada mais eu queria.
[só mais uma mordida]
Entre tapas, carícias, suguei seu corpo, a essência, o carisma.
Entre posições [das mais loucas] e o sexo em sua boca, e eu era só eu.
Éramos um prazer e estávamos prontos… para nos desfazer.

16
Jul
10

*sem ar*

Eu achava que tudo seria mais fácil assim, na verdade eu tinha certeza… Nunca tive tanta certeza de algo, em toda minha vida! Seria tudo simples… Lento, mas simples… Eu tinha que ser forte! Só mais essa vez…

Você não me deixava mais respirar… Me perdi em seu ar, fiquei sem… Já não podia mais dizer que respirava, já não podia mais dizer que vivia… Já não podia mais dizer nada…
Estava morrendo aos poucos, eu tomava doses diárias de morte, à conta gotas. Não suportava mais isso… Eu queria ser livre….. De uma forma, ou de outra…

Por isso achei que assim, seria tudo mais fácil. Eu precisava tentar… Me salvar… Me curar dessa dor…

Por que continuar assim?! Por que?! Eu me perguntava… E eu nunca soube responder… Não fazia mais sentido!! Nada fazia mais sentido, nada nunca fez sentido! Essa é a verdade..

Pra que continuar prolongando essa situação?! Prefiro tentar acabar com tudo de uma vez…
Sim, eu sabia que iria sofrer, que seria uma dor lenta, que se faria doer… E que seguiria em minha alma, por toda a eternidade, mas eu não via outra saída! Era melhor sofrer tudo de uma vez e terminar logo com tudo isso…

Escrevi um bilhete:

.

Tomei duas garrafas de vinho para celebrar minha liberdade!
Fechei todas as portas e janelas, e liguei o gás………

Agora, eu vivo…
Em paz.

09
Jul
10

Vem

Vem…
Transforma-me de menina em amante.
Faz-me perder os sentidos, o caminho de volta, a compostura, a saia.
Encontre-se nas minhas pupilas dilatadas de tesão.
Entre, encaixe, force, contraia, faça de mim sua morada.

Vem…
Deixa-me ser tua turista. Te explorar, degustar, conhecer, lamber.
Inflama-me com teu olhar malicioso.
Deixa-me delirar encaixada entre tuas pernas.

Vem…
Joga dentro da minha orelha todas as palavras chulas que sabes dizer.
Dê-me tua língua despreocupada, sem pressa, degluta-me.
Decifra o movimento dos meus quadris…

Vem…
Faz-me perder a pose, a compostura, a vergonha, faz-me perder tudo… menos o rebolado.

Isso  vem…
Faz meu corpo derramar em tua boca, em soluços, o pranto do desejo consumado.

Vem…

♫♫Seus pés se espalham em fivela e sandália
E o chão se abre por dois sorrisos
Virão guiando o seu corpo que é praia
De um escândalo, charme macio
Que cor terá se derreter?
Que som os lábios vão lamber?
Vem me ensinar a falar
Vem me ensinar te comer
Na minha boca agora mora o teu sexo
É a vista que os meus olhos querem ter
Sem precisar procurar
Nem descansar e adormecer

(…)

Só é possível te amar
Escorre aos litros o amor

(Nando Reis – No Recreio)




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“Falando absurdos, Virando a noite, Perdendo o senso, Derretendo satélites. Falando tudo, Voando a noite, Ouvindo estrelas…”

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